Recomendação:
- Deve estimar-se a idade gestacional através da informação relatada pela pessoa sobre a data da sua última menstruação (DUM) e um exame físico.
- Não é necessário o uso rotineiro da ecografia para a determinação da idade gestacional.
Força da recomendação: Forte
Qualidade da evidência: Muito Baixa
A importância do cálculo exacto da idade gestacional
Os erros no cálculo da idade gestacional podem aumentar os riscos associados ao aborto. Se a idade gestacional for subestimada antes da dilatação e evacuação (D&E), é possível que os provedores de saúde não tenham a experiência e equipamento necessários para completar o procedimento com segurança. O cálculo exacto da idade gestacional permite aos provedores de saúde determinar se a unidade sanitária está equipada para oferecer o serviço solicitado ou indicar a necessidade de encaminhamento para outra unidade sanitária, se necessário.
Avaliação da idade gestacional
A avaliação da idade gestacional usando o exame bimanual e a DUM, bem como a ecografia, está bem estabelecida durante os cuidados pré-natais. Nenhum ensaio prospectivo comparou a exactidão de diferentes métodos de cálculo da idade gestacional antes do aborto durante ou após a 13.ª semana de gestação, porém, numa coorte retrospectiva de 2.223 mulheres submetidas a aborto durante ou após a 13.ª semana de gestação no Nepal, a idade gestacional avaliada através da medição do comprimento do pé do feto após a expulsão da gravidez apresentou uma correlação elevada com as avaliações por ecografia (81%), o exame físico (77%) e a DUM (72%) (Kapp et al., 2020). Nos Estados Unidos, praticamente todos os provedores de saúde utilizam a ecografia para a avaliação da idade gestacional após a 12.ª semana de gestação, mas faltam dados da situação de outros países.
Antes do aborto medicamentoso, a idade gestacional pode ser estimada usando o primeiro dia da DUM da mulher e um exame físico que inclui exame bimanual e abdominal (Nautiyal et al., 2015; Ngoc et al., 2011; Royal College of Obstetricians and Gynaecologists [RCOG], 2022a; a Organização Mundial da Saúde [OMS], 2024). Medir a altura do fundo uterino, como nos cuidados obstétricos de rotina, pode fornecer informações adicionais à medida que a gravidez avança (Pugh et al., 2018). A ecografia pode ser usada para confirmar a idade gestacional se a DUM e o exame clínico forem discordantes ou se houver incerteza sobre a idade gestacional, mas não é necessária antes do aborto medicamentoso.
Em estudos publicados sobre D&E, incluindo relatórios de implementação de programas de D&E (Castleman et al., 2006; Jacot et al., 1993), a ecografia foi rotineiramente usado para determinar ou confirmar a idade gestacional antes de D&E. No entanto, um relatório publicado (Altman et al., 1985), dados programáticos não publicados (A. Edelman, comunicação pessoal, 12 de Janeiro de 2018) e opinião de especialistas apoiam o uso da DUM e exame físico para a avaliação da idade gestacional, com a utilização de ecografia quando necessário (RCOG, 2022a; OMS, 2024). Se for utilizada a ecografia, o diâmetro biparietal é um método simples e exacto para confirmar a idade gestacional (Goldstein & Reeves, 2009). A medição do comprimento do fémur pode ser utilizada para confirmar o diâmetro biparietal ou ser utilizada se houver dificuldades técnicas na obtenção de uma medição biparietal.
As pessoas que se apresentem com morte fetal, aborto incompleto ou para receber assistência pós-aborto podem ter datas da última menstruação (DUM) e tamanho uterino discordantes; devem ser tratadas de acordo com o tamanho do útero (RCOG, 2022b; OMS, 2024).
Após o aborto, os profissionais clínicos podem confirmar a idade gestacional comparando as medições fetais reais (comprimento do pé do feto) com a idade gestacional esperada (Drey et al., 2005; Mokkarala et al., 2020). Esta comparação dá aos clínicos feedback relativo à exactidão das suas estimativas da idade gestacional antes do procedimento. As ferramentas de cálculo da idade gestacional, tais como as medições fetais, estão incluídas nos manuais do Ipas Dilatation & Evacuation (D&E) Reference Guide: Induced Abortion and Postabortion Care at or After 13 Weeks Gestation, página 38 (2017), e Medical Abortion Reference Guide: Induced Abortion and Postabortion Care at or After 13 Weeks Gestation, página 30 (2017).
Referências
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Castleman, L. D., Oanh, K. T. H., Hyman, A. G., Thuy, L. T. T., & Blumenthal, P. D. (2006). Introduction of the dilation and evacuation procedure for second-trimester abortion in Vietnam using manual vacuum aspiration and buccal misoprostol. Contraception, 74, 272-276.
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Edelman, A., & Kapp, N. (2017). Dilatation & Evacuation (D&E) Reference Guide: Induced abortion and postabortion care at or after 13 weeks gestation. Chapel Hill, NC: Ipas.
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Jacot, F. R. M., Poulin, C., Bilodeau, A. P., Morin, M., Moreau, S., Gendron, F., & Mercier, D. (1993). A five-year experience with second-trimester induced abortions: No increase in complication rate as compared to the first trimester. American Journal of Obstetrics & Gynecology, 168, 633-637.
Kapp, N., Griffin, R., Bhattarai, N., & Dangol, D.S. (2020). Does prior ultrasonography affect the safety of induced abortion at or after 13 weeks’ gestation? A retrospective study. Acta Obstetricia et Gynecologica Scandinavica, doi: 10.1111/aogs.14040. Epub ahead of print. PMID: 33185906.
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Mokkarala, S., Creinin, M. D., Wilson, M. D., Yee, N. S., & Hou, M. Y. (2020). Comparing preoperative dating and postoperative dating for second-trimester surgical abortions. Contraception, 101(1), 5-9.
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