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Esvaziamento intra-uterino: substituir a curetagem por aspiração ou medicamentos

Última revisão: 29/09/2025

Recomendação:

  • A aspiração intra-uterina ou aborto medicamentoso devem substituir a curetagem (também conhecida como dilatação e curetagem [D&C]) para o tratamento de aborto e assistência pós-aborto.

Força da recomendação: Forte

Qualidade da evidência: Moderada

A Organização Mundial da Saúde (OMS) e a Federação Internacional de Ginecologia e Obstetrícia (FIGO) recomendam contra o uso de curetagemincluindo ‘verificações’ de curetagem para completar o abortoe afirmam que a aspiração intra-uterina ou regimes de medicamentos devem substituir a curetagem para o esvaziamento intra-uterino (FIGO, 2011; OMS, 2024). Em locais onde não existam serviços de esvaziamento intra-uterino, a aspiração intra-uterina e o aborto medicamentoso devem ser introduzidos.

Várias revisões sistemáticas mostraram que a aspiração intra-uterina é tão eficaz quanto a curetagem no tratamento de abortos precoces incompletos e retidos, reduzindo o tempo do procedimento, a perda de sangue e a dor (Ghosh et al., 2021; Tuncalp, Gulmezoglu, & Souza, 2010), e que é exequível introduzi-la em serviços que utilizam D&C (Kakinuma, et al 2020). Numa série retrospectiva de casos de 80.437 mulheres que procuraram o aborto induzido, a aspiração intra-uterina foi associada a menos da metade da taxa de complicações de maior e menor dimensão em comparação com a curetagem (Grimes, Schulz, Cates Jr, & Tyler Jr., 1976). Numa série mais recente, incluindo mais de 100.000 procedimentos de aborto, constatou-se que a curetagem realizada sozinha ou em combinação com a aspiração intra-uterina tinha uma probabilidade significativamente mais elevada de estar associada a complicações, particularmente para o aborto incompleto, do que a aspiração intra-uterina sem curetagem (Sekiguchi et al., 2015).

Vários estudos sobre o aborto induzido e assistência pós-aborto mostraram que pelo facto de a aspiração intra-uterina poder ser realizada por muitos tipos de profissionais de saúde sem anestesia geral, os custos para o sistema de saúde e para as pessoas são significativamente menores do que os da curetagem (Benson, Okoh, KrennHrubec, Lazzarino, & Johnston, 2012; Choobun, Khanuengkitkong, & Pinjaroen, 2012; Farooq, Javed, Mumtaz, & Naveed, 2011; Johnston, Akhter, & Oliveras, 2012).

Uma meta-análise em rede de 2021 comparou os métodos de esvaziamento intra-uterino cirúrgico, incluindo D&C, com o tratamento médico da perda gestacional precoce, tendo constatado uma eficácia semelhante para a aspiração intra-uterina, D&C e tratamento médico (Ghosh et al., 2021).[DD6.1][BP6.2][EJ6.3] A segurança e a tolerabilidade dos regimes medicamentosos para o esvaziamento intra-uterino estão bem documentadas (Kulier et al., 2011; Neilson, Gyte, Hickey, Vazquez, & Dou, 2013).

O uso de curetagem para tratar casos de aborto incompleto ou retido pode ser associado a síndrome de Asherman (aderências intra-uterinas). Uma revisão retrospectiva dos resultados de um centro de cuidados terciários reportou um número de 884 mulheres, submetidas à curetagem, aspiração intra-uterina ou misoprostol para perda gestacional precoce (Gilman Barber, Rhone e Fluker, 2014). No acompanhamento, 1,2% das mulheres que tinham sido tratadas com curetagem tiveram síndrome de Asherman (6 em 483 mulheres), ao passo que não se identificaram casos em 401 mulheres tratadas com a aspiração intra-uterina ou misoprostol.

Referências

Benson, J., Okoh, M., KrennHrubec, K., Lazzarino, M. A., & Johnston, H. B. (2012). Public hospital costs of treatment of abortion complications in Nigeria. International Journal of Gynecology & Obstetrics, 118(2), 60012-60015.

Choobun, T., Khanuengkitkong, S., & Pinjaroen, S. (2012). A comparative study of cost of care and duration of management for first-trimester abortion with manual vacuum aspiration (MVA) and sharp curettage. Archives of Gynecology and Obstetrics, 286(5), 1161-1164.

Farooq, F., Javed, L., Mumtaz, A., & Naveed, N. (2011). Comparison of manual vacuum aspiration, and dilatation and curettage in the treatment of early pregnancy failure. Journal of Ayub Medical College Abbottabad, 23(3), 28-31.

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Gilman Barber, A. R., Rhone, S. A., & Fluker, M. R. (2014). Curettage and Asherman’s syndrome-lessons to (re-) learn? Journal of Obstetrics and Gynaecology Canada, 36(11), 997-1001.

Grimes, D. A., Schulz, K. F., Cates Jr, W., & Tyler, C. W., Jr. (1976). The Joint Program for the Study of Abortion/CDC: A Preliminary Report. Paper presented at the Abortion in the Seventies: Proceeding of the Western Regional Conference on Abortion, Denver, Colorado.

Johnston, H. B., Akhter, S., & Oliveras, E. (2012). Quality and efficiency of care for complications of unsafe abortion: A case study from Bangladesh. International Journal of Gynecology & Obstetrics, 118(2), 60013-60017.

Kakinuma, T., Kakinuma, K., Sakamoto, Y., Kawarai, Y., Saito, K., Ihara, M., Matsuda, Y., Sato, I., Ohwada, M., Yanagida, K., & Tanaka, H. (2020). Safety and efficacy of manual vacuum suction compared with conventional dilatation and sharp curettage and electric vacuum aspiration in surgical treatment of miscarriage: a randomized controlled trial. BMC Pregnancy Childbirth, 16;20(1), 695.

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Neilson, J. P., Gyte, G. M., Hickey, M., Vazquez, J. C., & Dou, L. (2013). Medical treatments for incomplete miscarriage. Cochrane Database of Systematic Reviews, 28(3).

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Tuncalp, O., Gulmezoglu, A. M., & Souza, J. P. (2010). Surgical procedures for evacuating incomplete miscarriage. Cochrane Database of Systemtatic Reviews, 8(9).

World Health Organization. (2024)[EJ7.1]. Abortion Care Guideline, 2nd ed. Geneva: World Health Organization.